Por mais irônico que pareça, são as obras da Odebrecht no Peru, México e Equador que estão, nesse momento, assimilando os profissionais qualificados brasileiros do setor de construção e montagem de dutovias (engenheiros, encarregados, projetistas, soldadores, operadores de máquinas).
O perverso ciclo do setor é formado por bons anos, onde muitas vezes o setor é incapaz de suprir toda a demanda de profissionais qualificados, e na sequência, anos de total inatividade, quando os profissionais são obrigados a migrar para outros setores em prol da sobrevivência.
Os gasodutos de transporte foram os grandes responsáveis pelas contratações em massa do setor, quase que na totalidade pertencentes à Petrobras.
A lei do Gás, sancionada em 2009 e regulamentada em 2010, está há cinco anos sem produzir absolutamente nada relevante, no entanto tirou do páreo a maior contratante brasileira do setor, a Petrobras, sob o argumento legal que a carregadora não poderá transportar o gás.
Ocupando a 33ª posição no ranking mundial de reservas comprovadas de gás natural, o Brasil possui uma malha dutoviária 61,57% da malha Argentina que está na posição 38ª, e tem uma dependência de 25% da sua oferta procedente da Bolívia que está na 41ª posição desse mesmo ranking.
É inaceitável que cidades como Goiânia, Anápolis, Brasília, Uberlândia e Uberaba não sejam assistidas por redes de gás natural.
O gás existe, mas não está disponível ao mercado consumidor.
A engenharia existe, é boa e está disponível.
A lei que permite a participação da iniciativa privada existe.
Então o que está faltando para o setor decolar?
É um bom indicador para o mercado, a existência de 36 projetos de termelétrica a gás natural no próximo leilão de energia elétrica (A -5), marcado para o dia 05 de fevereiro de 2016. Melhor seria se o sucesso desses leilões promovidos pela EPE-Empresa de Pesquisa Energética(ANEEL) servisse de inspiração para o setor de gás natural.
Podemos concluir que o setor é muito promissor e tem muito o que fazer, mas tem que sair da inércia.